um dia achei que o peter pan tinha morrido. e com ele todos os sonhos da Verdadeira Terra do Nunca.
os olhos, que sempre acreditaram ser fortes, não conseguiram suportar o peso das lágrimas da desilusão: acreditaram num refúgio eterno que deixara, subitamente, de existir.
é nestas alturas que ganhamos invariavelmente um novo olhar. novas cores, novas formas, novos modos de ver o mundo e de... crescer. os heróis estão mortos e não nos resta mais nada a não ser um fatídico e assustador crescer. caminhar mecanicamente para uma meta que é mesmo um fim.
acordei numa manhã e vi de novo a sua sombra teimosa e irrequieta. como os espíritos deviam ser. descosida uma vez mais. e percebi. o peter pan que jaz morto no meu jardim de magnólias do passado não é o peter pan. nunca o chegou a ser. apenas uma imitação de alguém que o desejou ser, não sendo.
o peter pan impresso em folhas, encerrado num livro, também morre no final. com uma clareza extrema. pelo simples facto de não ser O peter pan. o verdadeiro.
o peter pan, criança irrequieta e desobediente, não subjugada a nenhum tipo de poder, que evolui, mas não cresce nunca, existe. Dentro de nós. Em poucos de nós. Mas existe. às vezes encontro a sua sombra descosida em mim. quero encontrá-la mais vezes e fazê-la permanecer.
(quanto à pergunta: morres no final. e o mundo continua a girar. perfeitamente. ciclicamente. para todo o sempre. e o tempo apaga suavemente todas as pegadas que deixaste marcadas na areia. mas sabes o que é o mais incrivelmente fascinante? vale a pena. estupidamente vale sempre a pena.
o teu final, em mim, já chegou. já morreste. as pegadas vão desaparecendo.
será que vale a pena guardar uma magnólia no jardim?.. ainda não sei...aquela frase na cabeça. insistentemente. latejantemente. "vale a pena. estupidamente vale sempre a pena".)
num conto de fadas literário, o peter pan faz sofrer muito a fada sininho.
numa vida real, que às vezes podemos pautar de sonho, esse peter pan que a tua história fala, e que a minha infelizmente já falou, não magoa só a sininho. Mente. Esconde. Engana. Magoa tudo e todos.
Podemos escrever sempre variações. Mas o final será sempre este.
The End.
(acredita que sei do que estou a falar. e gostava de um dia te poder contar tudo o que sei. um dia. quem sabe eu conte. quem sabe tu queiras ouvir.)
4 comentários:
na minha ele nao morre, pelo menos eu tento n o deixar morrer!
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ate porque o fim da historia somos smpre nos que o escolhemos...
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um dia achei que o peter pan tinha morrido. e com ele todos os sonhos da Verdadeira Terra do Nunca.
os olhos, que sempre acreditaram ser fortes, não conseguiram suportar o peso das lágrimas da desilusão: acreditaram num refúgio eterno que deixara, subitamente, de existir.
é nestas alturas que ganhamos invariavelmente um novo olhar. novas cores, novas formas, novos modos de ver o mundo e de... crescer. os heróis estão mortos e não nos resta mais nada a não ser um fatídico e assustador crescer. caminhar mecanicamente para uma meta que é mesmo um fim.
acordei numa manhã e vi de novo a sua sombra teimosa e irrequieta. como os espíritos deviam ser. descosida uma vez mais. e percebi. o peter pan que jaz morto no meu jardim de magnólias do passado não é o peter pan. nunca o chegou a ser. apenas uma imitação de alguém que o desejou ser, não sendo.
o peter pan impresso em folhas, encerrado num livro, também morre no final. com uma clareza extrema. pelo simples facto de não ser O peter pan. o verdadeiro.
o peter pan, criança irrequieta e desobediente, não subjugada a nenhum tipo de poder, que evolui, mas não cresce nunca, existe. Dentro de nós. Em poucos de nós. Mas existe.
às vezes encontro a sua sombra descosida em mim. quero encontrá-la mais vezes e fazê-la permanecer.
(quanto à pergunta: morres no final. e o mundo continua a girar. perfeitamente. ciclicamente. para todo o sempre. e o tempo apaga suavemente todas as pegadas que deixaste marcadas na areia.
mas sabes o que é o mais incrivelmente fascinante?
vale a pena. estupidamente vale sempre a pena.
o teu final, em mim, já chegou. já morreste. as pegadas vão desaparecendo.
será que vale a pena guardar uma magnólia no jardim?.. ainda não sei...aquela frase na cabeça. insistentemente. latejantemente. "vale a pena. estupidamente vale sempre a pena".)
tem cuidado para ver se ele não te mata a ti.
num conto de fadas literário, o peter pan faz sofrer muito a fada sininho.
numa vida real, que às vezes podemos pautar de sonho, esse peter pan que a tua história fala, e que a minha infelizmente já falou, não magoa só a sininho. Mente. Esconde. Engana. Magoa tudo e todos.
Podemos escrever sempre variações. Mas o final será sempre este.
The End.
(acredita que sei do que estou a falar. e gostava de um dia te poder contar tudo o que sei. um dia. quem sabe eu conte. quem sabe tu queiras ouvir.)
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